Ausência de barreiras técnicas na conferência de medicamento de alta vigilância integra cadeia de falhas que resultou na morte da criança
Redação Provalfar
A investigação sobre a morte de um menino de 6 anos após administração inadequada de adrenalina em ambiente hospitalar trouxe à tona um elemento estrutural que vai além da conduta individual dos profissionais envolvidos, a ausência de farmacêutico na unidade no momento do atendimento.
De acordo com o inquérito policial, o hospital funcionava com equipe reduzida e sem a presença de farmacêutico responsável pela conferência da prescrição médica, etapa considerada essencial nos protocolos de segurança do uso de medicamentos, especialmente aqueles classificados como de alta vigilância.
A medicação, adrenalina, foi prescrita para administração intravenosa, quando o correto, segundo a apuração, seria por inalação. Sem uma etapa independente de validação técnica, a prescrição seguiu diretamente para execução, resultando na aplicação inadequada e na rápida piora do quadro clínico da criança.
A ausência de dupla checagem qualificada, que inclui tradicionalmente a atuação do farmacêutico em ambientes hospitalares, é apontada como uma das falhas que permitiram a concretização do erro.
O inquérito não se limitou à responsabilização individual. A polícia também indiciou os diretores da unidade hospitalar, destacando que o funcionamento sem equipe adequada, configura falha estrutural relevante.
Segundo a investigação, a unidade operava com número insuficiente de profissionais e sem mecanismos adequados de segurança assistencial, cenário associado à tentativa de redução de custos operacionais.
Nesse contexto, a ausência do farmacêutico deixa de ser um detalhe administrativo e passa a ser tratada como fator diretamente relacionado ao desfecho do caso.
A adrenalina é classificada como medicamento de alta vigilância, com potencial elevado de causar danos graves quando utilizada de forma inadequada. Protocolos assistenciais recomendam múltiplas barreiras de segurança, incluindo:
A inexistência de uma dessas etapas, especialmente a validação técnica independente, amplia significativamente o risco de erro.
O caso envolve ainda a responsabilização da médica que realizou a prescrição e da profissional de enfermagem que executou a administração. No entanto, a investigação aponta que o evento não pode ser analisado de forma isolada, mas sim como resultado de uma sequência de falhas.
A ausência do farmacêutico, nesse cenário, surge como um dos pontos críticos na quebra das barreiras de segurança do sistema.
O episódio reforça um debate recorrente na área da saúde, a presença do farmacêutico em ambiente hospitalar não se limita à gestão de estoque ou logística de medicamentos, mas integra diretamente a estrutura de segurança assistencial.
A validação de prescrições, a análise de interações e a conferência de vias de administração são etapas que compõem o cuidado clínico e funcionam como mecanismo de prevenção de eventos adversos.
A investigação aponta que, na ausência desse profissional, o sistema se torna mais vulnerável a erros evitáveis, especialmente em situações que envolvem medicamentos de alto risco.
O caso segue para análise do Ministério Público e poderá ser submetido a julgamento, com possibilidade de responsabilização criminal dos envolvidos.
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