São 106 nomes ligados ao setor, sendo 74 farmacêuticos e 19 candidatos com vínculos no Sistema CFF/CRFs; o desafio é transformar a força da categoria em representação política
Redação Provalfar
Um levantamento nacional realizado pelo Provalfar identificou 106 pedidos de candidatura relacionados à Farmácia nas eleições de 2026. Desse total, 75 são farmacêuticos, enquanto outros 31 pertencem a pessoas que utilizam referências como “da Farmácia”, “farmacêutico” ou “drogaria” no nome eleitoral, possuem vínculo histórico com o setor ou relatam experiência em estabelecimento farmacêutico, mas não tiveram a graduação em Farmácia confirmada.
Dos 75 farmacêuticos, 59 declararam a profissão no registro de candidatura deste ano. Outros dez já haviam informado a ocupação ao TSE em eleições anteriores, e seis tiveram a formação confirmada em fontes públicas.
Os números representam os pedidos disponíveis no TSE até esse momento e ainda podem mudar. O calendário eleitoral fixou as 19h de 15 de agosto como prazo geral para que partidos, federações e coligações apresentem os registros. Por isso, pedidos transmitidos depois da geração do arquivo podem não aparecer neste levantamento.
Para quem ainda pretende participar da disputa, existe uma possibilidade, mas ela não equivale a uma candidatura avulsa. As convenções partidárias terminaram em 5 de agosto. Nos cargos proporcionais, partidos e federações que não preencheram o número máximo de candidaturas podem escolher nomes para as vagas remanescentes até 4 de setembro, respeitando as cotas de gênero e os demais requisitos legais. Assim, farmacêuticos interessados ainda podem procurar seus partidos, desde que exista vaga na chapa e a candidatura seja formalmente aprovada pela direção partidária.
O levantamento também mostra por que o nome de urna exige cautela. A expressão “da Farmácia” não comprova graduação nem inscrição profissional. Ela pode identificar proprietários, comerciantes, gestores, balconistas, trabalhadores do varejo ou pessoas conhecidas pela proximidade com determinado estabelecimento. Por isso, os 31 nomes sem comprovação foram mantidos em um grupo separado e não são apresentados como farmacêuticos.
A apuração também buscou vínculos formais com o Conselho Federal de Farmácia, os Conselhos Regionais de Farmácia e a Vigilância Sanitária. Presença em eventos, homenagens ou o simples registro profissional não foi considerada vínculo institucional.
Entre os nomes identificados está a deputada federal Alice Portugal, candidata à reeleição pelo PCdoB da Bahia. A Câmara dos Deputados registra que ela está no exercício do mandato, enquanto documentos da própria Casa a apontam como a única farmacêutica do Congresso Nacional. Farmacêutica e bioquímica, Alice tenta permanecer no Parlamento em um momento no qual a categoria ainda luta para transformar reivindicações históricas em leis.
A parlamentar preside a Frente Parlamentar em Defesa da Assistência Farmacêutica e é autora do PL 2.028/2021, que trata de salário profissional e jornada de trabalho. A proposta está anexada ao PL 1.559/2021, do piso salarial nacional dos farmacêuticos, que aguarda designação de relator na Comissão de Finanças e Tributação.
O destaque dado a Alice decorre de uma situação objetiva: atualmente, é a única profissional farmacêutica exercendo mandato no Congresso. Isso, entretanto, não deve substituir a análise crítica de sua atuação, de seus projetos e de seus posicionamentos. Da mesma forma, possuir formação em Farmácia não garante, por si só, compromisso com os trabalhadores ou com a assistência farmacêutica.
Entre os nomes levantados, 19 possuem atuação atual, anterior ou futura no Sistema CFF/CRFs, como conselheiros, dirigentes ou integrantes de grupos técnicos e estruturas institucionais. A relação abaixo apresenta os vínculos e os cargos disputados. Separadamente, também foi identificado um candidato com experiência na Vigilância Sanitária. Esses vínculos não representam apoio institucional das autarquias às candidaturas.
Ex-balconista de farmácia e fundador do Movimento Vida Além do Trabalho (VAT), Rick Azevedo, disputa uma vaga de deputado federal pelo PSOL do Rio de Janeiro. Vereador da capital fluminense, ganhou projeção nacional com a mobilização pelo fim da escala 6x1 e pela redução da jornada de trabalho. USP
A candidatura leva ao debate eleitoral uma pauta que alcança milhares de trabalhadores do varejo farmacêutico, submetidos a jornadas extensas, poucos períodos de descanso e dificuldades para conciliar trabalho, saúde e vida familiar.
Alagoas foi o único estado no qual não foi identificado nenhum candidato farmacêutico ou eleitoralmente ligado à Farmácia. Amapá e Espírito Santo possuem nomes associados ao setor, mas nenhum deles foi identificado como farmacêutico. Assim, 24 unidades da Federação apresentam pelo menos um farmacêutico no recorte.
A ausência de representantes em parte do país e o número reduzido de farmacêuticos na política nacional ganham importância diante de problemas que afetam diariamente a profissão: falta de piso salarial nacional, pressão por metas, acúmulo e desvio de função, jornadas extensas, ameaças à autonomia técnica, fragilização da assistência e propostas que podem transformar o medicamento em simples mercadoria.
O Provalfar também recebeu relatos de que, em algumas regiões, farmacêuticos desistiram ainda na fase de pré-candidatura diante da falta de apoio da própria categoria. Sem identificar nomes ou localidades, os relatos mostram que a baixa representação política não decorre apenas da ausência de interessados, mas também da dificuldade dos próprios farmacêuticos em reconhecer e sustentar candidaturas capazes de levar suas pautas aos espaços de decisão.
O levantamento não representa apoio eleitoral do Provalfar. O objetivo é estimular os farmacêuticos a conhecerem os candidatos, analisarem suas trajetórias e cobrarem compromissos concretos com a categoria.
A formação em Farmácia, por si só, não garante representatividade. É preciso avaliar se a experiência profissional trouxe conhecimento sobre a realidade da ponta, como baixos salários, jornadas exaustivas, pressão por metas, desvio de função e falta de autonomia técnica.
Antes do voto, o eleitor deve verificar se o candidato defende o piso nacional, condições dignas de trabalho, autonomia profissional, presença do farmacêutico e a farmácia como estabelecimento de saúde. Mais do que um diploma ou “farmácia” no nome eleitoral, a categoria precisa de representantes capazes de transformar experiência em atuação política.
Nenhum candidato identificado.
Nota de apuração: A base nacional do TSE é atualizada diariamente. Por isso, novos pedidos de registro e alterações de partido, cargo, situação da candidatura ou redes sociais podem surgir após este levantamento. A presença de um nome na base também não significa que o registro tenha sido definitivamente deferido. Os perfis no Instagram foram identificados prioritariamente a partir das redes sociais informadas pelos candidatos à Justiça Eleitoral e complementados por consulta pública nominal. Alguns perfis não foram localizados. Os nomes apresentados apenas como ligados ao setor podem corresponder a balconistas, proprietários, gestores ou outros trabalhadores de estabelecimentos farmacêuticos e não foram contabilizados entre os 75 farmacêuticos. Da mesma forma, a ausência de referência à atuação em conselhos de classe na ficha de determinado candidato não comprova a inexistência de vínculo atual ou histórico com o Sistema CFF/CRFs.
Atualização: Após revisão da apuração, levantamento passa a contabilizar 74 farmacêuticos candidatos; a atualização corrige uma classificação profissional feita anteriormente.
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