Crescimento de unidades ocorre em paralelo ao fechamento de farmácias independentes e à concentração do mercado
Redação Provalfar
O Brasil já figura entre os países com maior densidade de farmácias do mundo, superando em quase seis vezes a recomendação da Organização Mundial da Saúde e ultrapassando mercados como Estados Unidos e China. Ainda assim, o setor segue em expansão, impulsionado por articulações políticas que defendem a ampliação dos pontos de venda sob a justificativa de beneficiar o consumidor.
Reunião realizada no dia 19 de março, em Brasília, contou com a participação do vice-presidente Geraldo Alckmin e lideranças do varejo. Estiveram presentes João Galassi, da Associação Brasileira de Supermercados, Leonardo Miguel Severini, da Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores, além de representante da Associação Brasileira dos Atacadistas de Autosserviço. O encontro teve como pauta o apoio à aprovação do PL 2158/2023, que autoriza a instalação de farmácias completas em supermercados, já aprovado pelo Congresso Nacional, com sanção presidencial prevista até 23 de março.
Durante o encontro, representantes do setor agradeceram o apoio do vice-presidente à proposta. Ao comentar a medida, Alckmin destacou que a liberação tende a “facilitar a vida do consumidor”. Em resposta, o presidente da Associação Brasileira de Supermercados afirmou que o vice-presidente, “por ser médico e uma pessoa extremamente respeitada no meio político”, compreenderia a importância da iniciativa.
O cenário contrasta com dados do Conselho Federal de Farmácia, que indicam que nove em cada dez brasileiros já recorreram à automedicação. Apesar disso, grandes redes mantêm planos agressivos de crescimento, a Panvel projeta dobrar o número de lojas, a São João investe na ampliação de centros de distribuição e a Raia Drogasil anunciou a abertura de centenas de novas unidades.
Como desdobramento desse movimento, a entrada de supermercados no varejo farmacêutico ganha força. Com operação regularizada e presença obrigatória de farmacêutico, esses estabelecimentos passam a disputar diretamente com farmácias tradicionais, ampliando a concorrência, sobretudo em cidades de menor e médio porte.
Ao mesmo tempo, o avanço do setor ocorre em paralelo ao fechamento de pequenas farmácias, indicando não uma retração do mercado, mas um processo de concentração. A combinação entre expansão de grandes grupos, entrada de novos players e saída de estabelecimentos independentes redesenha o varejo farmacêutico brasileiro, aprofundando desafios já existentes.
O crescimento do número de farmácias ocorre sem o mesmo avanço em políticas de uso racional de medicamentos e no fortalecimento do cuidado farmacêutico, o que evidencia um descompasso entre a dinâmica de mercado e as necessidades sanitárias.

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