Modelo que prioriza serviços farmacêuticos ganha força nos EUA
Redação Provalfar
A CVS Health iniciou, neste mês de março, na região oeste de Chicago, um projeto que pretende redefinir o varejo farmacêutico americano. A companhia abriu a primeira de cerca de 20 novas lojas “pharmacy-only”, conceito que resgata a lógica de botica, com unidades de aproximadamente 278 a 465 m² dedicadas à dispensação de medicamentos, imunizações e outros serviços de saúde, deixando de lado alimentos e itens de conveniência.
A iniciativa surge em um momento de reavaliação estratégica do setor. Grandes redes como CVS e Walgreens vêm enfrentando vendas estagnadas de mercadorias de baixo giro e, ao mesmo tempo, buscam reduzir dívidas por meio da adoção de lojas menores e mais eficientes. Nesse contexto, as novas unidades foram concebidas para “preencher lacunas de atendimento”, segundo a companhia. Len Shankman, vice-presidente executivo da CVS Health, destacou que os farmacêuticos são profissionais acessíveis e de confiança, e que o novo formato favorece uma relação mais próxima entre equipe e pacientes.
Esse movimento representa, em certa medida, uma inflexão em relação ao modelo adotado nas últimas décadas. Nos Estados Unidos, as drogarias ampliaram progressivamente seu mix de produtos, incorporando itens de conveniência como estratégia para compensar margens cada vez menores nos medicamentos. No entanto, esse modelo passou a mostrar sinais de esgotamento, com queda nas vendas desses produtos diante da concorrência de supermercados e do comércio eletrônico.
Dados recentes reforçam essa mudança de direção. O “Rx Report” da CVS de 2025 aponta que 80% dos pacientes preferem atendimento presencial e que 84% consideram as farmácias uma fonte confiável de cuidados. O levantamento indica que proximidade e confiança permanecem como pilares centrais do negócio farmacêutico. O mesmo relatório sustenta a expansão de lojas em formato reduzido (“small-format stores”) em áreas com menor cobertura, oferecendo serviços farmacêuticos completos, imunizações e suporte ao uso de medicamentos, com um portfólio mais restrito e direcionado à saúde.
Na prática, a estratégia combina expansão seletiva e racionalização da rede. A CVS fechou cerca de 270 lojas em 2025 e planeja abrir quase 100 novas unidades, incluindo pontos adquiridos da Rite Aid. As microlojas devem ser instaladas, prioritariamente, em bairros com baixa presença de farmácias, sem que isso represente o abandono dos modelos tradicionais de lojas maiores.
A iniciativa também se insere em um cenário mais amplo de pressão sobre o varejo farmacêutico norte-americano. Além da reestruturação da Rite Aid, redes como Walgreens anunciaram redução significativa de unidades nos últimos anos. A concorrência com varejistas de desconto, aliada ao aumento de furtos e à necessidade de corte de custos, tem forçado o setor a revisar seus modelos operacionais. Nesse ambiente, as microlojas surgem como alternativa para otimizar despesas, ampliar a capilaridade e testar novos formatos de atendimento, mantendo, ao mesmo tempo, estratégias como farmácias integradas a supermercados (store-in-store).
Ao final, a estratégia da CVS aponta para uma segmentação do varejo farmacêutico, com modelos distintos, de um lado, grandes centros de conveniência e, de outro, unidades focadas em medicamentos e serviços clínicos. A combinação entre a preferência dos pacientes pelo atendimento presencial, a necessidade de eficiência operacional e as pressões por maior valorização dos serviços farmacêuticos deve influenciar a expansão desse modelo. Caso tenha sucesso, a estratégia pode inspirar redes de outros países inclusive no Brasil, onde a discussão sobre “hub de conveniência” domina o varejo farmacêutico, a reavaliar se o futuro das farmácias está na ampliação do mix ou no retorno às origens.
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