ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA

Farmacêuticos agora podem trabalhar presencialmente em farmácias de condomínios em meio ao avanço ilegal das vending machines

Modelo da Apepê Farma preserva a assistência farmacêutica presencial e surge em um momento de intensificação do debate sobre vending machines, telefarmácia e os limites da automação na dispensação de medicamentos

Redação Provalfar

Atualizada em
02
/
08
/
2026
20:40

A inauguração das primeiras farmácias instaladas dentro de condomínios representa uma novidade para o varejo farmacêutico brasileiro e pode abrir um novo campo de atuação para farmacêuticos. Diferentemente das vending machines de medicamentos que vêm se expandindo pelo país, a proposta da Apepê Farma consiste na implantação de uma farmácia regularmente licenciada, com farmacêutico presente durante todo o funcionamento, responsabilidade técnica, autorização da Vigilância Sanitária e comercialização de toda a linha de medicamentos, inclusive antibióticos e medicamentos sujeitos a controle especial. O modelo nasceu em Fortaleza (CE) e já iniciou sua expansão por franquias para diversos estados.  

A novidade chega justamente quando cresce a preocupação com a proliferação de vending machines instaladas em condomínios, edifícios e outros espaços coletivos. Nos últimos meses, o Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo (CRF-SP) acionou o Ministério Público para investigar a comercialização de medicamentos por máquinas automatizadas, sustentando que o modelo viola a legislação sanitária ao permitir a venda de medicamentos sem a assistência farmacêutica presencial exigida pela Lei nº 5.991/1973 e pela Lei nº 13.021/2014. O Ministério Público instaurou procedimento para apurar essas operações, enquanto a própria Anvisa já manifestou entendimento contrário à dispensação de medicamentos por máquinas autônomas.  

Entretanto, o debate regulatório evoluiu rapidamente. Algumas startups passaram a utilizar a telefarmácia como mecanismo para inserir o farmacêutico remotamente durante a dispensação. A Boxfarma, por exemplo, informa realizar atendimento farmacêutico 24 horas por dia por vídeo, áudio, QR Code e WhatsApp, com farmacêuticos escalados remotamente. Segundo a empresa, atualmente as máquinas comercializam apenas medicamentos isentos de prescrição (MIPs), mas o projeto prevê expansão para diferentes ambientes e novos canais de comercialização.

Paralelamente, essas empresas vêm ampliando sua atuação para além dos condomínios. Startups do setor intensificam diálogos com o Ministério da Saúde para implantação de máquinas autônomas em Unidades Básicas de Saúde (UBSs), além de projetos voltados para hotéis, prédios comerciais e outros espaços coletivos. A própria Boxfarma também ampliou sua presença em plataformas digitais e marketplaces, como Shopee, Amazon e Mercado Livre, evidenciando que o modelo de comercialização automatizada busca ganhar escala nacional.

Sob a ótica regulatória, o principal debate deixou de ser apenas a existência das máquinas. A discussão passa agora pela utilização da telefarmácia para dar sustentação jurídica a operações automatizadas. Embora a Resolução CFF nº 727/2022 regulamente a telefarmácia, ela delimita de forma expressa o seu alcance ao exercício da Farmácia Clínica mediado por tecnologias da informação e comunicação, vedando, inclusive, que o farmacêutico assuma responsabilidade técnica de forma não presencial. Ainda assim, permanece a preocupação de que algumas empresas busquem interpretar a norma de maneira ampliada, utilizando a telefarmácia como argumento para sustentar modelos de dispensação automatizada sem a presença física do farmacêutico, em desacordo com o espírito e com a própria redação da regulamentação vigente.

Nesse cenário, o modelo adotado pela Apepê Farma segue caminho oposto. Em vez de substituir o farmacêutico pela tecnologia, utiliza a tecnologia para aproximar a farmácia da comunidade sem retirar o profissional do estabelecimento. O farmacêutico permanece responsável pela dispensação, orientação, avaliação clínica, responsabilidade técnica e acompanhamento dos pacientes, preservando o conceito estabelecido pela Lei nº 13.021/2014 de que farmácia é estabelecimento de saúde e não apenas um ponto de comercialização de medicamentos.

Outro aspecto que deverá ganhar destaque nos próximos meses será a atuação dos Conselhos Regionais de Farmácia. Como os CRFs irão se posicionar diante de farmacêuticos que assumam responsabilidade técnica por operações baseadas em vending machines e atendimento exclusivamente remoto? O próprio Provalfar publicou recentemente análise alertando que farmacêuticos vinculados a modelos posteriormente considerados incompatíveis com a legislação sanitária poderão ser submetidos à apuração de responsabilidade ética pelos Conselhos de Farmácia, além de outras responsabilidades decorrentes do exercício profissional.

Mais do que uma discussão sobre novos modelos de negócio, o momento exige uma definição clara dos órgãos reguladores sobre os limites da automação no comércio de medicamentos. A inovação tecnológica pode representar importante ferramenta para ampliar o acesso da população aos serviços farmacêuticos. No entanto, ela não pode servir de fundamento para esvaziar atribuições legalmente conferidas ao farmacêutico nem para substituir a assistência farmacêutica presencial por interpretações expansivas da regulamentação da telefarmácia. A chegada de farmácias presenciais em condomínios demonstra que é possível inovar preservando o papel do farmacêutico e a segurança do paciente, enquanto permanece aberto o debate sobre os limites legais das vending machines e da dispensação remota de medicamentos.

‍

LEIA TAMBÉM

Por que empresas preferem colecionar processos trabalhistas a cumprir a CLT?
CATEGORIAS
ANVISA
ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA
CONSELHOS PROFISSIONAIS
Direito Previdenciário
DISTRITO FEDERAL
Farmacêutico Paliativista
Farmácia Magistral
FARMÁCIA POPULAR
Governo Federal
Inteligência Artificial
Justiça do trabalho
Legislação Farmacêutica
MERCADO FARMACÊUTICO
Pautas da Categoria
PISO SALARIAL DOS FARMACÊUTICOS
Política Farmacêutica
Projeto de lei
REGULAÇÃO FARMACÊUTICA
SERVIÇO PÚBLICO
STF
TST
Últimas Notícias
VALORIZAÇÃO FARMACÊUTICA
VAREJO FARMACÊUTICO
colunista

ver mais
Instagram
@Provalfar
Contato

Fale com o Provalfar

Tem dúvidas, sugestões ou quer falar sobre pautas da categoria farmacêutica? Nossa equipe está pronta para ouvir você. Preencha o formulário ou entre em contato pelos nossos canais de atendimento.

provalfar@gmail.com
@provalfar
Obrigado! Em breve entraremos em contato :)
Oops! Algo de errado aconteceu, envie o formulário novamente.
PROVALFAR
Informação estratégica para farmacêuticos sobre a atuação e o mercado profissional no Brasil
PROVALFAR NAS REDES
institucional
homequem somoscontatodúvidaspolíticas de privacidade
CATEGORIAS
ANVISA
ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA
CONSELHOS PROFISSIONAIS
Direito Previdenciário
DISTRITO FEDERAL
Farmacêutico Paliativista
Farmácia Magistral
FARMÁCIA POPULAR
Governo Federal
Inteligência Artificial
Justiça do trabalho
Legislação Farmacêutica
MERCADO FARMACÊUTICO
Pautas da Categoria
PISO SALARIAL DOS FARMACÊUTICOS
Política Farmacêutica
Projeto de lei
REGULAÇÃO FARMACÊUTICA
SERVIÇO PÚBLICO
STF
TST
Últimas Notícias
VALORIZAÇÃO FARMACÊUTICA
VAREJO FARMACÊUTICO
comercial
anunciepost patrocinado
© 2026 Provalfar
Desenvolvido cuidadosamente por Digital Bloom

PROVALFAR

HOMEQUEM SOMOSCONTATONOTÍCIASPAUTAS DA CATEGORIA