Faturamento bilionário contrasta com a falta de indicadores públicos sobre jornada, dimensionamento das equipes e estrutura destinada à assistência farmacêutica
Redação Provalfar
As grandes redes de farmácias associadas à Abrafarma movimentaram R$ 118,5 bilhões em 2025, alta de 14,9% em relação a 2024. No mesmo período, o número de pontos de venda chegou a 11.688 unidades, crescimento de 5,9%. Os dados fazem parte do ranking compilado pela FIA-USP.
Os números mostram um varejo que amplia suas receitas em ritmo superior ao da abertura de estabelecimentos. Embora representem cerca de 11% dos pontos de venda do país, as redes associadas respondem por aproximadamente 53% das dispensações de medicamentos.
Diante dessa força econômica, outra questão merece atenção: esse avanço também tem se traduzido em melhores condições de trabalho para farmacêuticos e demais colaboradores?
O crescimento não ocorre apenas no balcão. As vendas digitais das redes associadas alcançaram R$ 21,58 bilhões entre dezembro de 2024 e novembro de 2025, avanço de 54,82%.
Ao mesmo tempo, as farmácias ampliaram sua atuação em saúde. Em 2025, foram registrados cerca de 10 milhões de serviços, com 9.248 salas clínicas nas redes associadas. Nos três primeiros meses de 2026, a média chegou a aproximadamente 40 mil procedimentos por dia.
Na prática, a rotina dos estabelecimentos passou a envolver, além da dispensação de medicamentos, vacinação, testes, acompanhamento de pacientes, serviços clínicos, atividades administrativas e uma operação cada vez mais integrada aos canais digitais.
A RD Saúde, líder entre as grandes redes, ajuda a dimensionar essa estrutura. Em 2025, a companhia encerrou o período com 3.547 farmácias, 73.379 colaboradores e 14.360 farmacêuticos.
O número absoluto de profissionais, porém, não revela como essas equipes estão distribuídas. Não mostra quantos farmacêuticos permanecem simultaneamente em cada unidade ou turno, como evoluiu a demanda por trabalhador nem quanto da jornada está efetivamente disponível para a assistência farmacêutica.
Também não permite saber se o aumento dos serviços foi acompanhado proporcionalmente por reforço das equipes, adequação das jornadas e intervalos, melhoria da estrutura física ou redistribuição das tarefas.
Rankings e balanços oferecem números detalhados sobre receita, lojas, vendas digitais e atendimentos. As condições em que esse avanço é sustentado dentro dos estabelecimentos são muito menos visíveis.
Em um setor que movimentou R$ 118,5 bilhões em apenas um ano, conhecer apenas o faturamento deixa de ser suficiente. A evolução do varejo também pode ser observada pela capacidade das empresas de acompanhar novas demandas com equipes adequadamente dimensionadas e condições compatíveis com a complexidade crescente da operação.
O novo ranking mostra quanto as grandes redes cresceram. A questão que permanece é como essa expansão chega a quem está dentro das farmácias todos os dias, especialmente aos farmacêuticos e aos demais colaboradores responsáveis por sustentar vendas, atendimento, serviços de saúde e toda a operação das lojas.
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