Levantamento do Provalfar contabiliza 38 homens e 36 mulheres nas eleições de 2026; elas são 14 dos 24 nomes à Câmara e ocupam 12 das 28 presidências do Sistema CFF/CRFs
Redação Provalfar
A profissão farmacêutica brasileira é majoritariamente feminina, mas essa maioria ainda não se converteu na mesma proporção em poder político e institucional. Em novembro de 2024, o Conselho Federal de Farmácia informou que as mulheres representavam 70% dos mais de 400 mil farmacêuticos em atividade no país. Nas eleições de 2026, porém, o levantamento nacional do Provalfar encontrou 36 mulheres e 38 homens entre os 74 profissionais farmacêuticos com formação confirmada.
As farmacêuticas correspondem, portanto, a 48,6% das candidaturas da categoria, enquanto os farmacêuticos representam 51,4%. A distância numérica é pequena, de apenas dois nomes, mas a comparação com a composição profissional revela a desigualdade. Embora sejam cerca de sete em cada dez profissionais, as mulheres não chegam à metade das candidaturas. A participação feminina está 21,4 pontos percentuais abaixo do peso que elas têm na Farmácia.
O recorte farmacêutico é mais equilibrado do que o cenário geral das eleições. Dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral em 21 de agosto mostram 20.560 candidaturas consideradas para a distribuição dos recursos eleitorais, sendo 7.165 de mulheres, ou 34,85%, e 13.395 de homens, ou 65,15%.
Entre os farmacêuticos, a presença feminina de 48,6% supera a média nacional em 13,75 pontos percentuais e aproxima a categoria da paridade. Ainda assim, o resultado permanece distante dos 70% que as mulheres representam na profissão. O mesmo dado permite duas leituras simultâneas, as farmacêuticas chegam à disputa eleitoral em proporção muito maior do que as mulheres no conjunto das candidaturas brasileiras, mas continuam sub-representadas quando comparadas à realidade interna da própria Farmácia.
São Paulo concentra o maior número de farmacêuticos candidatos, com dez nomes. A distribuição paulista, entretanto, é fortemente masculina, são oito homens e duas mulheres. O Estado reúne sozinho 21,1% de todos os homens identificados no levantamento.
Rio Grande do Sul e Santa Catarina aparecem em seguida, com sete candidatos cada, ambos com quatro homens e três mulheres. O Rio de Janeiro ocupa a quarta posição, com seis nomes, mas apresenta o maior contingente feminino do país, cinco mulheres e um homem. Rondônia completa o grupo dos cinco maiores, com três homens e duas mulheres.
Goiás se destaca por ter quatro candidaturas farmacêuticas e todas serem femininas. Bahia tem três mulheres e nenhum homem, enquanto o Pará reúne três mulheres e um homem. Entre as mulheres, o ranking é liderado pelo Rio de Janeiro, com cinco, seguido por Goiás, com quatro, e por Bahia, Pará, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, com três cada. Entre os homens, São Paulo lidera com oito, seguido por Rio Grande do Sul e Santa Catarina, com quatro cada, e Rondônia, com três.
No recorte regional, o Sudeste reúne 19 candidaturas, o Norte 18, o Sul 16, o Nordeste 14 e o Centro-Oeste sete. O Centro-Oeste é a região mais feminina, com seis mulheres e apenas um homem. O Nordeste apresenta igualdade, com sete candidaturas de cada grupo. Norte, Sul e Sudeste têm maioria masculina.


As duas parcelas da categoria priorizam cargos legislativos, mas não da mesma forma. Entre os homens, 26 dos 38 nomes, ou 68,4%, disputam vagas nas Assembleias Legislativas ou na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Outros dez concorrem a deputado federal, um a vice-governador e um a segundo suplente ao Senado.
Entre as mulheres, 20 das 36 candidaturas, ou 55,6%, são para deputada estadual. Outras 14, ou 38,9%, buscam uma vaga na Câmara dos Deputados. Há ainda uma candidata a vice-governadora e uma a primeira suplente ao Senado.
O movimento mais expressivo aparece na disputa federal. Dos 24 farmacêuticos confirmados que concorrem à Câmara, 14 são mulheres e dez são homens. Assim, as farmacêuticas representam 58,3% dos nomes da categoria ao cargo de deputado federal. Entre elas está Alice Portugal, da Bahia, que tenta a reeleição e atualmente é apontada em documento oficial da Câmara como a única farmacêutica em exercício no Congresso Nacional.
Nas disputas estaduais e distrital, o quadro se inverte. São 26 homens e 20 mulheres. As candidaturas a vice-governadoria e às suplências do Senado são residuais, com um nome de cada grupo em cada um desses dois conjuntos.
A diferença entre presença profissional e poder decisório também aparece no Sistema CFF/CRFs, mas exige uma leitura precisa. A relação oficial das diretorias dos 27 Conselhos Regionais, com mandatos de 2026 a 2027, mostra que as mulheres ocupam 62 dos 108 cargos de presidente, vice-presidente, secretário-geral e tesoureiro, o equivalente a 57,4%. Os homens ocupam 46 postos, ou 42,6%.
O cenário muda quando se observa somente o cargo máximo. Das 27 presidências regionais, 12 são ocupadas por mulheres e 15 por homens. Somada a Presidência do CFF, atualmente exercida por um homem, a cúpula do sistema reúne 28 postos, 12 mulheres, ou 42,9%, e 16 homens, ou 57,1%. As mulheres são maioria nas equipes de direção dos regionais, mas perdem espaço quando a análise sobe para a cadeira de presidente.
No Plenário do CFF, responsável por decisões nacionais e pela eleição da Diretoria da autarquia, a proporção se repete. A composição oficial dos 27 conselheiros federais reúne 12 mulheres e 15 homens. Já a Diretoria do CFF para o biênio 2026–2027 tem três homens e uma mulher, a participação feminina cai para 25% nos quatro cargos nacionais de direção.
O histórico da Presidência do Conselho Federal reforça a concentração masculina no posto mais alto. Na galeria oficial de presidentes do CFF, que apresenta os dirigentes de 1961 a 2011, aparece apenas uma mulher, Alba Lygia Brindeiro de Araújo, que comandou a autarquia em 1990. A gestão nacional de 2026–2027 também é presidida por um homem.
Os números não mostram ausência de participação feminina. Ao contrário, as farmacêuticas estão perto da paridade nas eleições gerais, são maioria entre as candidaturas da categoria à Câmara dos Deputados e já ocupam mais da metade dos cargos nas diretorias regionais. A desigualdade surge na conversão dessa presença em presidências e postos nacionais de comando.
Os dados indicam que a barreira não está apenas na entrada. As mulheres chegam às chapas em proporção superior à média nacional e já são maioria nas diretorias regionais, mas perdem espaço nas presidências e no comando nacional. As eleições de 2026 serão um teste sobre a capacidade de transformar presença em mandatos, influência e participação efetiva nas decisões que definem os rumos da Farmácia.
O levantamento não representa apoio eleitoral do Provalfar a qualquer candidatura. Ele revela, porém, uma questão que a categoria precisa enfrentar, se as mulheres sustentam a maior parte da força de trabalho farmacêutica, por que sua presença diminui justamente quando aumentam o poder político, a visibilidade e a capacidade de decisão?

Esta análise integra o levantamento nacional do Provalfar sobre a participação de profissionais farmacêuticos nas eleições de 2026. A comparação com a composição do Sistema CFF/CRFs utiliza informações públicas para contextualizar como a representatividade se distribui nos diferentes espaços da profissão, reconhecendo o papel institucional dos conselhos e a contribuição de mulheres e homens para a construção da Farmácia brasileira. O recorte segue critérios de interesse público, equilíbrio e transparência editorial.
O levantamento do Provalfar considerou 74 profissionais com graduação em Farmácia confirmada entre 106 pedidos de candidatura relacionados ao setor. Pessoas que apenas utilizam expressões como “da Farmácia”, “farmacêutico” ou “drogaria” no nome eleitoral, sem confirmação da formação, foram mantidas fora do grupo profissional. Marcelo Iunes foi retirado do total após a apuração confirmar formação em Biomedicina. Leivison permaneceu apenas no grupo ampliado de pessoas ligadas ao setor, preservando o total de 106 nomes. Os números refletem pedidos de registro e podem sofrer alterações posteriores de situação, substituição ou renúncia na base da Justiça Eleitoral.
Para o recorte institucional, foram considerados os cargos publicados pelo CFF para os mandatos vigentes em 2026–2027. O conjunto das diretorias regionais soma quatro postos em cada um dos 27 CRFs. As presidências foram analisadas separadamente para medir a presença no cargo máximo. Conselheiros federais titulares e integrantes da Diretoria do CFF foram contabilizados como postos institucionais distintos; não foram somados para estimar pessoas únicas, pois alguns diretores também integram o Plenário.
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