Entidade afirma ter sido alvo de notificações judiciais e extrajudiciais após denunciar jornadas desgastantes, escalas consideradas abusivas, ausência de descanso adequado e benefícios incompatíveis com o faturamento bilionário das empresas
Redação Provalfar
O Sindicato dos Farmacêuticos no Estado de São Paulo (Sinfar-SP) afirmou estar sofrendo tentativa de censura por parte de grandes redes do varejo farmacêutico após publicações que denunciavam condições de trabalho enfrentadas diariamente por farmacêuticos nas farmácias do estado.
Segundo a entidade, duas das maiores empresas do setor encaminharam notificações judiciais e extrajudiciais contra o sindicato em razão de postagens e manifestações públicas que abordavam temas relacionados à violência no ambiente de trabalho, desgaste físico e mental dos profissionais, jornadas consideradas excessivas e baixos benefícios pagos aos trabalhadores.
A direção do sindicato afirma que as medidas adotadas pelas empresas representam uma tentativa de intimidar e silenciar denúncias relacionadas à realidade vivida por farmacêuticos no varejo.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, a presidente do Sinfar-SP, Dra. Renata Gonçalves, declarou que o sindicato continuará denunciando situações que considera prejudiciais à categoria, independentemente de pressões patronais.
“O Sindicato dos Farmacêuticos no Estado de São Paulo continuará dizendo a verdade”, afirmou a dirigente sindical.
Entre os principais pontos criticados pela entidade estão escalas divulgadas como “5x2”, mas que, segundo o sindicato, não garantiriam efetivamente dois dias consecutivos de descanso aos profissionais. O Sinfar-SP também denunciou longos períodos de permanência em pé durante a jornada, pressão intensa nas unidades e vale-refeição considerado incompatível com a realidade econômica das grandes redes farmacêuticas.
Para o sindicato, causa indignação o fato de empresas que movimentam bilhões de reais recorrerem ao Judiciário contra uma entidade representativa da categoria em vez de discutir melhorias concretas nas condições de trabalho enfrentadas pelos farmacêuticos.
A entidade sustenta que denunciar jornadas desgastantes, adoecimento ocupacional e ausência de condições adequadas de descanso não pode ser tratado como ataque institucional, mas como exercício legítimo da atividade sindical e da defesa dos trabalhadores.
O posicionamento do Sinfar-SP repercutiu entre farmacêuticos nas redes sociais, especialmente diante das discussões cada vez mais frequentes envolvendo saúde mental, burnout, pressão por metas e precarização das relações de trabalho no varejo farmacêutico.
Nos bastidores do setor, as notificações enviadas ao sindicato vêm sendo interpretadas por profissionais como um sinal de desconforto das grandes redes diante da crescente exposição pública das condições enfrentadas pelos farmacêuticos nas farmácias.
O caso também reacende o debate sobre liberdade sindical, direito de denúncia e os limites da atuação patronal diante de manifestações relacionadas à saúde, dignidade e valorização dos trabalhadores farmacêuticos.
Mesmo após as notificações, o Sinfar-SP afirmou que continuará realizando denúncias e cobrando melhores condições de trabalho para os farmacêuticos do estado de São Paulo.
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