Proposta altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação e reforça a exigência de formação presencial para profissionais da saúde
Redação Provalfar
A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (16) o Projeto de Lei nº 5.414/2016, que proíbe a oferta de cursos de graduação na modalidade de ensino a distância (EAD) para as profissões da área da Saúde. A proposta altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e representa um importante avanço na discussão sobre a qualidade da formação dos profissionais responsáveis pelo atendimento direto à população.
Apresentado em 2016 pelo atual senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG), então deputado federal, o projeto modifica o artigo 80 da Lei nº 9.394/1996 para estabelecer que o Poder Público não incentivará programas de ensino a distância nos cursos de formação da área da saúde. Segundo a justificativa da proposta, a formação desses profissionais exige aprofundamento teórico e técnico associado à prática presencial, característica considerada essencial para o desenvolvimento das competências necessárias ao exercício profissional.
O texto também destaca que as tecnologias em saúde evoluem de forma constante, exigindo dos estudantes contato direto com equipamentos, procedimentos, laboratórios e atividades práticas durante a graduação. De acordo com a justificativa apresentada pelo autor, a ausência dessa vivência pode comprometer a qualidade da formação acadêmica e, consequentemente, a prestação dos serviços de saúde à população.
A aprovação ocorre em um momento de crescente discussão sobre os limites da educação a distância em cursos que envolvem atividades assistenciais, treinamento supervisionado e contato direto com pacientes. Nos últimos anos, a expansão do ensino remoto na área da saúde tem sido alvo de questionamentos por parte de especialistas, instituições de ensino e conselhos profissionais, especialmente em profissões que exigem o desenvolvimento de habilidades práticas ao longo da graduação.
Para a área farmacêutica, o tema possui relevância especial. Atualmente, diversos cursos de Farmácia funcionam em modelo híbrido, podendo ofertar parcela significativa da carga horária em formato remoto, enquanto as atividades práticas, laboratoriais e estágios permanecem presenciais. A aprovação do PL 5.414/2016 reforça a discussão sobre os limites da educação a distância na formação de profissionais responsáveis pelo cuidado direto à saúde da população.
Além da dispensação de medicamentos, os farmacêuticos atuam em serviços clínicos, vacinação, acompanhamento farmacoterapêutico, análises laboratoriais, pesquisa, indústria e diversas outras áreas que demandam formação técnica qualificada e treinamento prático supervisionado. Nesse contexto, a discussão sobre a modalidade de ensino ganha relevância não apenas para as instituições de ensino, mas também para a qualidade da assistência prestada aos pacientes.
A aprovação na CCJ representa uma etapa importante da tramitação legislativa e reforça o debate sobre o modelo de formação dos profissionais da saúde no Brasil. Caso avance nas próximas fases do processo legislativo, a proposta poderá impactar diretamente a forma como os cursos da área da saúde são estruturados e ofertados em todo o país.
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